|
É preciso conhecer seu aluno
É preciso conhecer seu aluno
Para o professor norte-americano John Loflin, é possível combater a violência por meio da educação democrática Débora Menezes O educador norte-americano John Loflin é um entusiasta da educação democrática. Com mestrado em um programa de educação para professores de escolas alternativas, pela Indiana University (Estados Unidos), ele participa há vários anos de encontros do Idec – Conferência de Educação Democrática. Ex-professor de Ensino Médio em escolas públicas, Loflin participa de um comitê informal que reúne pesquisadores interessados no tema, o Consórcio da Educação Democrática, e faz palestras em escolas para falar sobre ensino democrático e explicar como cidadania e igualdade racial e social podem ajudar os alunos a se sair melhor no aprendizado. No 15º evento, realizado na semana passada em Mogi das Cruzes (leia mais), Loflin falou sobre a relação entre violência, educação e cultura no debate “Práticas Educacionais Democráticas”. Em seguida, deu a seguinte entrevista a NOVA ESCOLA ON-LINE: Como você abraçou a causa da educação democrática? Em 2003, voltei inspirado de uma conferência sobre escolas democráticas e tentei aplicar o que vi no meu estado, Indiana. Desde então divulgo o que conheço sobre educação democrática nas escolas, e nesse meio tempo alguns pesquisadores e interessados sobre o tema ajudaram a fundar o Consórcio de Educação Democrática em Indianápolis. Esse grupo pretende influenciar as pessoas e levar o conceito de escola democrática aos nossos governantes e legisladores, para que ele seja implantado na rede pública dos Estados Unidos por meio dos conselhos educativos espalhados pelo país. É interessante destacar que no estado de Indiana apenas 21% dos alunos homens conseguem terminar o Ensino Médio na escola pública. E acredito que podemos aumentar esse índice tendo um ensino democrático e menos autoritário. O que significa, para você, uma educação democrática? Basicamente, a coisa mais importante é criar hábitos democráticos nas escolas, implementando fundamentos básicos como ouvir os alunos, deixá-los deliberar, comprometê-los. Democracia para mim responde à questão: Como pessoas diferentes podem dividir um espaço comum? Para viver em comunidade precisamos da democracia. Caso contrário não é possível dividir o mesmo espaço, saber o que é correto, o que é justo para cada um. Nos Estados Unidos, estudantes adolescentes de grandes escolas públicas não respeitam nem mesmo autoridades policiais! Tenho certeza que se nas grandes escolas públicas houvesse conselhos com a participação desses jovens, talvez as regras fossem mais respeitadas. Acredito até que se os alunos tivessem a oportunidade de escolher os responsáveis pelo policiamento na escola, teriam mais respeito por esses policiais. Você visitou muitas escolas públicas pelo mundo. O que tem a dizer sobre a relação entre violência e Educação? Conheci escolas democráticas na Índia, na Austrália e na Inglaterra e estou me programando para visitar algumas em São Paulo. São ambientes que estão formando verdadeiros agentes sociais. Autores falam que uma das necessidades primordiais do ser humano é ser aceito como ele é. Creio que quem tem essa auto-afirmação não tem necessidade de praticar atos de violência. Se em alguns lugares as pessoas estão sofrendo por falta de comida e moradia, existem problemas de auto-estima. E se você não responde, a pessoa fica agressiva. O que as escolas deveriam fazer é reconhecer essas pessoas pela postura. Dessa forma valorizamos atitudes positivas. E qual o papel do professor nesse processo? O professor tem que entender que ele não trabalha para o Estado, mas para os estudantes e precisa querer, além de ensinar conteúdos, trabalhar a auto-estima de seus estudantes. Se eu tenho cinco turmas de 30 alunos, lógico que é mais conveniente montar as mesmas provas, usar os mesmos livros... Mas o papel mais importante do professor é fazer com que o aluno se descubra, consiga atingir suas metas interiores e se auto-afirmar. Com essa postura você evita que os alunos tenham necessidade de atitudes agressivas, porque você cria um ambiente saudável, onde a pessoa se sente reconhecida. Não é correto o professor separar os melhores alunos da classe e olhar para os outros dizendo “ah, esses aí não têm solução, fiz tudo o que pude”. É preciso buscar sempre o melhor de todos os alunos. É por isso que eu defendo o movimento da escola democrática, baseada em uma educação pluralista, que respeita as diferenças. Você relacionou o movimento hip-hop à filosofia da educação democrática. Pode falar sobre isso? O hip hop é um movimento musical e social construído pelos afro-americanos para dar voz a eles. É aí que ele “combina” com a idéia das escolas democráticas, pois o hip-hop trabalha pela auto-afirmação de uma cultura e reivindica direitos iguais. Os educadores não podem virar as costas para esse movimento que atrai tanto os alunos! publicação original: http://revistaescola.abril.com.br/online/cobertura/cobertura_251680.shtml
|