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A EXPERIÊNCIA DEMOCRÁTICA DURANTE ALGUNS DIAS
Mauricio Abelha Aprendiz do Trilhas Urbanas 2007/ Cidade Escola Aprendiz Do dia 8 ao dia 16 de setembro aconteceu em Mogi das Cruzes a IDEC (Conferência Internacional de Educação Democrática). Durante oito dias pessoas do mundo inteiro trocaram experiências e colocaram em pauta o que é educação. A proposta pedagógica é fazer com que os indivíduos desenvolvam senso de responsabilidade com a comunidade e o saber baseado nas decisões de vida, projetando objetivos e traçando táticas para atingi-los, formando cidadãos aptos a viver sobre um regime democrático “real”. A Cidade Escola Aprendiz foi convidada a fazer o registro do evento, os jovens aprendizes receberam essa informação e logo se interessaram pela proposta. Ficamos do dia 10 ao dia 15, sendo sete jovens encarregados de produzir uma espécie de “fotojornal”, que seria exposto diariamente em um telão. A Bruna Rosa e a Priscila dos Santos foram as primeiras a ir, fizeram as fotos e montaram o fotojornal daquele dia. No dia seguinte foram a Greicy Karla, a Jéssica Gonçalves e eu (Mauricio Abelha), confesso que não sabiamos muito bem o que era para ser feito, anotamos os acontecimentos e fizemos algumas fotos, na hora de montar o fotojornal senti-me super autoritário em relação às meninas. Na quarta feira foi a vez do Murilo Viana, do Tiago Matos, eu (de novo) e a Lorena (educadora). Na carona para Mogi fomos trocando idéias sobre várias coisas, rimos muito, e chegamos em Mogi bem descontraídos. Lá a Lorena ofereceu e pagou o café, enquanto comíamos, começamos um papo sobre bichos e animais de estimação que não parecia ter fim. Naquele dia eu parecia estar mais a vontade. Depois do café fomos assistir a assembléia e logo na seqüência uma oficina sobre a educação e a cidade com Bia Goulart, do Programa Bairro-Escola de Nova Iguaçu. Durante a oficina fiquei com vontade de falar um pouco sobre o que acontecia na Vila Madalena em São Paulo, então relatei minha experiência e o que representava pra mim o Trilha Urbanas (projeto que busca desenvolver a autonomia dos jovens). Depois do almoço demos um “perdido” na Lorena e caminhamos até um lugar tranqüilo. Eu nunca tinha conversado tanto com o Murilo como naquele dia. Voltamos para o salão para ver o debate, fizemos anotações e fotos. Na biblioteca, depois de uma certa demora, por conta da quantidade de fotos que o Tiago tirou, escolhemos algumas, pensamos em legendas e montamos o fotojornal bem a tempo de ser apresentado no jantar, o que não aconteceu, e nos deixou um tanto que chateados, enquanto comíamos chagamos a conclusão de que as pessoas não estavam com muita vontade de ficar olhando fotos, e de que nós não tínhamos o “apetite” de fazer o fotojornal. Eu particularmente estava mais afim de vivenciar tudo aquilo, que ficar escrevendo legendas. Conversamos com a Lorena a respeito, então ela nos disse para sermos autônomos, quando não estamos gostando de alguma coisa e queremos fazer outra, temos que verbalizar nossas vontades. Essas palavras rapidamente fizeram com que eu refletisse sobre o que estava acontecendo. Procurei a Gisela (organizadora do IDEC) e comentei que não estava sendo legal, ela falou que estávamos livres para fazer o que tínhamos vontade de fazer, o que na hora me deixou um pouco assustado, mas depois “caiu a ficha” de que estávamos participando de uma conferência democrática. Eu e o Tiago a partir daquele dia (quarta feira) íamos ficar até sábado. Logo tratei de saber a onde ficaríamos, perguntei para a Gisela, e ela afirmou que era num sítio, junto com todos. Peguei o saco de dormir com a Natacha (Diretora da Cidade Escola Aprendiz), e já estava pronto pra viver a experiência da educação democrática. No final das atividades, juntamos nossas coisas e fomos com todos ao transporte que nos levaria ao local da nossa hospedagem. Dentro do veículo percebemos levemente como seria o nosso convívio, no caminho ao sítio em clima de alegria, as pessoas conversavam em varias línguas, cantavam e brincavam. Na quinta feira acordei bem cedo, estava ansioso para ir ao Pico da Neblina, uma reserva florestal que tínhamos combinado de ir. Tomei banho no “perrengue” (esqueci de levar toalha de banho, então me enxugava com a camiseta do dia anterior) e fui tomar café. Na cozinha um homem chamado Roberto me chamou pra conversar, perguntou sobre minha vida, falou um pouco da sua e me convidou para dar oficinas de graffiti na sua escola recém inaugurada em Jundiaí. Varias outras conversas rolaram e rolavam, mais era super difícil o entendimento e a comunicação em outras línguas. Nos aprontamos e saímos as 8:00 da manhã. O Pico da Neblina fica uns 30 minutos do sítio. Ao entrarmos na van encontramos os educadores da Outward Bound Brasil (OBB), que já conhecíamos, eles foram conversando conosco até chegar na reserva. Lá o Tiago logo sacou da maquina fotográfica e começou a “viajar” nas fotos. A hora prevista para estarmos na Faculdade Náutico (local da conferência) era as 12:00 horas, mas como o lema é: faça o que tem vontade, ficamos até as 2:00 horas da tarde no “pico”. Durante a trilha praticamos uma dinâmica proposta pelos educadores da OBB, e ficamos quase uma hora nos divertindo em um rio lindo cheio de pedras legais, chegamos no Náutico aproximadamente as 15:00 horas. Após o almoço, como de costume, eu e o Tiago fomos para um lugar tranqüilo, “relaxamos” e trocamos idéias sobre o que estava acontecendo. Parecia mentira o que estávamos vivendo, as pessoas faziam o que vinha na cabeça, sem nenhum tipo de repressão, e o mais engraçado é que não tinham vergonha uns dos outros e se respeitavam. A tarde participamos de uma reunião para organizar a IDEC 2008, no Canadá. A noite no sítio rolou “rango” vegetariano e churrasco, todos pareciam se divertir muito com brincadeiras e dinâmicas. Na mesma noite, junto com outras pessoas ficamos filosofando até quase 1:00 hora da madrugada. Na sexta feira, depois do café fomos ao Náutico participamos da assembléia (que acontecia diariamente para definir a programação do dia), e em seguida de um debate bem interessante que abordava a formação de educadores na visão democrática, e outros assuntos ligados ao tema, como atuar democraticamente em espaços não democráticos, por exemplo. A tarde fomos conhecer as atividades do Fórum Mundial de Educação do Alto Tiete, que também estava acontecendo na cidade, o problema é que algumas pessoas estavam cansadas de ficar assistindo palestras e resolveram passear pela cidade. Eu fiquei olhando uma mata nativa que me chamou a atenção, já o Tiago resolveu entrar no CEMFORPE (centro de formação de professores e educadores) para ver o que acontecia. Enquanto olhava a mata um policial se aproximou para ver o que eu estava fazendo, num tom autoritário, perguntou meu nome, onde eu morava e o que estava fazendo ali, respondi calmamente meu nome e que era de São Paulo, falei que estava apenas observando a mata porque sinto falta dela na minha cidade, perguntei o seu nome e logo puxei um diálogo, expliquei o que estava acontecendo na cidade, falei um pouco sobre o conceito do Bairro-Escola e dei um livro da Cidade Escola Aprendiz que explica a metodologia. Depois que o policial saiu, eu parecia estar bem comigo mesmo, senti-me útil em divulgar para um policial algo que eu acredito ser um passo para um mundo mais igualitário. Na ida para o sítio rimos muito com as palhaçadas de um gringo super legal (John Loflin). Chegando lá fizemos uma fogueira e ficamos até 2:00 horas da madruga conversando e curtindo a noite. O sábado foi bem tranqüilo, na assembléia decidimos duas atividades de manhã, um debate e uma oficina de expressão corporal, e a tarde uma outra reunião sobre a IDEC 2008. Essa foi nossa experiência, convivemos quatro dias com pessoas que acreditam que a verdadeira aprendizagem é aquela que os homens buscam espontaneamente, considerando a liberdade e a distribuição igualitária de poder nas relações entre educadores e educandos, nos dando uma nova visão, de que não precisamos de coisas prontas, temos criatividade para criá-las.
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