Alunos podem ser responsáveis pela gestão das escolas

Alunos podem ser responsáveis pela gestão das escolas

Alan Meguerditchian

Crianças de até 10 anos reunidas em uma sala de aula discutindo e decidindo em assembléia sobre: xingamentos entre colegas, uso de celular na escola e regras da cama elástica. "A gente resolve o que é feito e o que é bom para a escola", explica o aluno de seis anos, Artur.

O vídeo exibido durante o V Congresso Internacional de Educação, em São Paulo, pela pesquisadora da Universidade de Campinas (Unicamp), Helena Singer, descreveu um pouco sobre o cotidiano das escolas que adotaram a democracia como método de gestão.

As crianças são co-responsáveis pelo próprio processo de aprendizagem. Elas estabelecem o que têm interesse em aprender. Não há lousa, carteiras nem um plano de aula ou currículo pré-determinado a ser seguido. Também não há tarefas para casa, provas ou exames, tampouco separação por série, sexo ou faixa etária: os alunos se reúnem, sozinhos, por afinidades afetivas ou de conhecimentos. As aulas não são compulsórias.

"Em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) possibilitou que cada escola escolhesse sua maneira de trabalhar. Caso optasse por não ter divisão em séries ou se quisesse ser gerida pela comunidade, ela poderia. Dessa forma, começou a ser possível a implementação das escolas democráticas", lembrou Singer.

Segundo a pesquisadora, os contrários à idéia argumentavam que seria impossível a aplicação do modelo no Brasil e que, caso fosse experimentado, só daria certo em escolas pequenas e de "ricos". "Hoje temos centenas de exemplos que provam o contrário", disse.

O exemplo mais completo, segundo a pesquisadora, é o Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos Campo Limpo (Cieja-CL), localizado na zona sul da cidade de São Paulo. A escola que atende mais de mil alunos entre jovens, adultos e pessoas com deficiência, todos excluídos do sistema formal de ensino, adota o sistema democrático na tomada de decisões. "Nossos portões estão sempre abertos. Nossos materiais estão sempre disponíveis, guardados sem chaves. O planejamento é coletivo", descreveu a coordenadora geral do Cieja-CL.

Segundo Singer, três aspectos contribuem para que a escola democrática seja possível hoje. "Como vamos enfileirar nossos alunos e dizer o que eles devem fazer se a tecnologia superou a idéia de que conhecimento é acumulado, se as teorias sobre o aprendizado dizem que se eu ouvir eu esqueço, se eu ver eu lembro e se eu fazer eu aprendo, além da educação estar sendo pensada para uma sociedade solidária", explicou.

"O conhecimento tem que ser desejado. Crianças de oito anos são diferentes entre si, assim como adultos de 38. Por que não organizá-las por grupos de interesse, ao invés de dividi-las por idade. É preciso disponibilizar o conhecimento a todos, democratiza-lo, para que cada um aprenda no seu ritmo e da sua maneira", concluiu.

publicação original - http://aprendiz.uol.com.br/content.view.action?uuid=e730ea940af4701000a89ce36d7d2926


Criada por: helena1815 pontos . última modificação em: Quarta-feira 09 de Maio, 2007 20:05:19 BRT por Eduardo164 pontos .

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