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Culturas devem ser valorizadas por seus próprios povos
Culturas devem ser valorizadas por seus próprios povos
Cássia Gisele Ribeiro "Hoje, embora as culturas negra e indígena sejam mais reconhecidas do que no passado, elas ainda são vistas como adorno cultural exótico e não como parte da sociedade brasileira", afirmou Henry Machado, da Associação Cachuera!, durante a oficina Educação e Diversidade Cultural, realizada na Conferência Internacional de Educação Democrática (IDEC 2007). Para chegar a essa conclusão, o palestrante traçou um panorama da cultura popular no país. "Mário de Andrade foi um marco na história, pois foi o primeiro a levar elementos das culturas negra e indígena para as artes. Entretanto, eles ainda eram considerados como produção bárbara", afirmou. O palestrante lembrou também do samba, que durante a era Vargas chegou a compor o repertório ouvido pela elite brasileira. "Aconteceu um processo curioso, os negros passaram a ser excluídos da sua própria produção cultural", contou. Segundo Machado, isso acontece até hoje porque as tentativas de valorização da produção artística dos povos negros e indígenas são feitas pela população branca, que nem sempre conhece a história e significados. O palestrante contou que a Associação Cachuera! já produziu livros, CDs e documentários sobre elementos culturais de diversas regiões do Brasil. "Entretanto, percebemos que ninguém faria isso melhor do que a própria população", disse. Hoje, as ações da instituição focam os trabalhos na conscientização e apoio às comunidades, para que elas próprias realizem esse trabalho. A secretaria de educação do México, Rocío Vazquez, que também participou da oficina, contou a história do movimento zapatista no México, essencial no que diz respeito à luta pela valorização dos povos indígenas da região. As famílias zapatistas vivem em regiões de extrema pobreza no México, em pequenas comunidades onde não há água, luz e saneamento básico. A partir das manifestações desses povos, o México passou a enxergar a situação, e houve uma intensa comoção popular para que não houvesse repressão militar durante as manifestações. "Embora a situação continue grave, foi somente quando a luta partiu dos próprios indígenas que eles conseguiram a visibilidade de que precisavam", disse.
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