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Democracia em debate
Democracia em debate
Evento em Mogi das Cruzes traz reflexões e experiências sobre escolas democráticas Débora Menezes, email: O que define uma “escola democrática”? Segundo o educador israelense Yaacov Hecth, do Institute for Democratic Education, trata-se de uma instituição de ensino que aproxima mais alunos e professores ao compartilhar a gestão do conhecimento e define papéis de responsabilidade e liberdade que hoje a escola não teria. Na prática, educadores e educandos decidem juntos o que vão estudar, como será a avaliação e como podem ser elaboradas as regras de boa convivência dentro da comunidade escolar. Tudo isso, para Yaacov, significa alunos mais contentes com a escola, mais motivados a estudar e mais tolerantes com os colegas – e, consequentemente, mais preparados para a convivência em comunidade. Em Israel, relata Yaacov, há 28 das chamadas “escolas democráticas”. São escolas públicas, onde foram promovidas mudanças no relacionamento entre professores e estudantes: antes das aulas, por exemplo, os mestres reservam pelo menos uma hora para conversar com seus alunos para saberem de seus anseios e dificuldades. O país tem uma faculdade de pedagogia voltada para a educação democrática, o Kibutzim College. O conceito de democracia dentro da educação é amplo e está sendo debatido na 15ª Conferência de Educação Democrática, que está sendo realizada esta semana em Mogi das Cruzes (SP). Escolas, organizações não-governamentais, pesquisadores e educadores que se interessam ou desenvolvem trabalhos sobre o tema estarão trocando informações durante o evento, que tem como um dos organizadores o Instituto para a Democratização da Educação no Brasil (Ideb). Entre as escolas que irão apresentar suas experiências está o Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (Cieja) do Campo Limpo, região metropolitana de São Paulo. Lá, alunos e professores tomam decisões juntos em assembléia e, por terem autonomia de gestão, também decidem o que vão estudar, dentro de áreas do conhecimento pré-definidas (leia mais sobre o Cieja em reportagem de NOVA ESCOLA ON-LINE). É possível Um sonho distante dos brasileiros? Para a pedagoga Carolina Sumie Ramos, uma das sócias-fundadoras do Ideb, não. Ela acredita que é possível tornar democráticas as escolas públicas do país. "Uma escola onde os alunos desenvolvem, definem, planejam, executam e avaliam projetos de seu interesse é democrática”, diz. Alunos reunindo-se em assembléias para decidirem a solução de conflitos também caracteriza a democracia no universo escolar. E ainda que nem todas as instituições de ensino tenham a liberdade de uma gestão autônoma, como o Cieja, dá para introduzir princípios democráticos - para começar. “É preciso que os alunos sintam-se parte da escola para se interessarem pelo aprendizado”, lembra Carolina. Um exemplo de iniciativa democrática é a avaliação além da nota convencional, onde o aluno promove suas próprias avaliações. A formação de assembléias para tomadas de decisões nas escolas (do horário do recreio a como solucionar conflitos entre alunos) também é uma proposta que, se a instituição de ensino tiver abertura, dá mais credibilidade às regras de boa convivência - pois foram estabelecidas coletivamente, e não impostas pela diretoria. Quer saber mais? Curso O Ideb oferece um curso livre de formação em educação democrática, abertos a educadores e estudantes, com 32 horas de duração (uma aula por semana, durante um semestre). O custo é de aproximadamente 420 reais (sem material didático). Entre os temas trabalhados estão autonomia, resolução de conflitos e organização do conhecimento. O Instituto fica em São Paulo. Mais informações no site. publicação original: http://revistaescola.abril.com.br/online/cobertura/cobertura_250694.shtml
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