Educação democrática: o que é isso?

Patrícia Cucio e Ubirajara Barbosa da Fonseca, do Virajovem São Paulo

De 08 a 15 de setembro, na cidade de Mogi das Cruzes (SP), está rolando o IDEC 07 – Congresso Internacional de Educação Democrática, com gente dos quatro cantos da Terra. A Vira foi lá conferir.

Mas afinal o que é educação democrática?
Nely Claux, uma peruana muito simpática que gerencia o programa de educação na América Latina da organização não-governamental Safe the Chidren, nos explicou o que é a educação democrática para ela: “É quando existe a participação da comunidade na decisão dos rumos da escola, que não deve ser uma ilha, um ponto isolado no meio do mar da comunidade, mas sim, com os portões abertos para a comunidade se articular e criar a partir dela”.

Uma característica marcante deste tipo de escola é o diálogo entre todos os envolvidos no processo: pais, educadores e estudantes se reúnem em uma Assembléia para conversarem sobre o que é necessário para a escola, desde o conteúdo a ser estudado na sala de aula, até se a escola precisa de pintura ou não. O legal é que todos são escutados, e em algumas escolas até as crianças de dois anos participam desta reunião.

Conversamos com o Kageki Asakura professor da Universidade Shure em Tóquio, que veio para este encontro, que nos contou que lá muitas crianças e jovens desistem de ir para escola, pois o sistema educacional do Japão é muito rígido, e que algumas cometem até o suicídio por causa da pressão. As escolas democráticas tem sido uma alternativa para elas. Perguntamos como os pais reagem a esta mudança, e ele disse que alguns apóiam esta mudança, e que outros não entendem o que há de errado com as outras escolas.

Qual a diferença?
A escola democrática é diferente da escola tradicional. A primeira geralmente não está dividida em séries e sim em ciclos, os alunos junto com os professores escolhem o que será aprendido. A outra é a escola que muitos de nós estudamos, ou estudou, onde as coisas são simplesmente impostas aos alunos, como se estes fossem um problema e não parte do processo.

Carolina Sumie Ramos, do Brasil, diz que nas escolas democráticas a relação com o conhecimento se baseia em que todos querem aprender sempre e que obrigar a alguém a aprender algo que ela não queira é desestimulá-la a aprender.
Foi o que aconteceu com Telya, estudante de uma da escola democrática de Israel (país desenvolvido nesse sistema de ensino). Aos 14 anos, Telya não queria ir mais para a escola, achava tudo muito cheio de normas e chato. Nesta época ela conversou com os pais, que a ajudaram a encontrar uma escola em que se sentisse bem, e foi assim que ela foi parar na escola democrática.

Escutar o aluno, entender suas necessidades e o que ele deseja aprender, permitir que ele aprenda junto com os educadores e que a escola decida qual o caminho que deve ser seguido, este é o segredo da educação democrática.

publicação original: http://www.revistaviracao.org.br/pilulas/blog.php#texto,11_09_2007,educ


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